lunes, 26 de junio de 2017
100 livros e Teses sobre autismo
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sábado, 18 de marzo de 2017
TENDENCIAS PEDAGOGICAS NAS PRATICAS DO PROFESSOR DE ALUNOS AUTISTAS
TENDENCIAS PEDAGOGICAS NAS PRATICAS DO PROFESSOR DE ALUNOS AUTISTAS
Autora - Mary Diva Portugal Makhoul
Makhoul,M.D.P.(2013)
I
- RESUMO
Este ensaio é fruto de uma pesquisa
bibliográfica sobre as principais tendências pedagógicas que
predominam, na prática pedagógica dos professores e outros profissionais ligados à educação de alunos
autistas. Dessa forma foi feito uma revisão bibliográfica sobre as Tendências
Escolanovista, Tecnicista, Construtivista ou
construtivismo de Piaget, a
Teoria Sociohistórica de Vigotsky, e o método Montessoriano, por entendermos
que são as tendências mais utilizadas pelos professores para nortear as suas
praticas pedagógicas com alunos autistas.
II
- INTRODUÇÃO
Este ensaio, intitulado “TENDENCIAS PEDAGOGICAS NAS PRATICAS DO
PROFESSOR DE ALUNOS AUTISTAS”,
constitui-se no trabalho final do Seminário “Nuevos Paradigmas en
Educación”, componente do quadro curricular do Mestrado em Educação, da
Universidad del Salvador, ministrado pela Profª Claudia Zysman, na cidade de
Buenos Aires, Argentina.
A escolha do tema justifica-se por ser a minha
área de estudo e tema da minha Tese.
Diante do exposto, considerei importante
situar brevemente as principais tendências pedagógicas que predominam, na
prática pedagógica ou no discurso dos professores e outros profissionais ligados à educação de alunos
autistas. Dessa forma será apresentada uma revisão sobre as Tendências Escolanovista,
Tecnicista, a Construtivista ou Construtivismo
de Piaget, a Teoria Sociohistórica de
Vigotsky, e o Método Montessoriano.
Essa revisão tem o objetivo de evidenciar a prática pedagógica
desenvolvida a partir dessas tendências e fornecer subsídios para a análise da prática
pedagógica dos professores de alunos com
autismo.
III
- DESENVOLVIMENTO
A Tendência da Escola Nova ou a
Tendência Escolanovista surgiu como oposição
à tendência tradicional, fundamentou-se no princípio da liberdade individual da criança e teve como base a psicologia subjetivista.
No Brasil, essa tendência foi intensamente vivenciada no Brasil a partir dos anos 30 e teve como idealizador
Anísio Teixeira, que recebeu forte influência de John Dewey, pedagogo norte-americano, que
viveu entre o final do século XIX e a
primeira metade do século XX. Dewey defendia a educação pela ação, acreditando que a escola
não deveria ser a preparação para a vida,
mas a própria vida. O autor acreditava ainda que “[...] a educação é o
resultado da interação entre o organismo
e o meio através da reconstrução da experiência”. (LIBÂNEO, 1994, p. 62)
A característica que mais chama
atenção na tendência escolanovista é a “[...] valorização da criança, vista como ser dotado
de poderes individuais, cuja liberdade, iniciativa,
autonomia e interesses devem ser respeitados”. (VEIGA, 1994, p. 50) Para os escolanovistas, a função principal da
educação é a de promover condições que favoreçam
a atividade dos alunos. O aluno é considerado como sujeito da aprendizagem e dessa forma, o professor deixa
de ser um transmissor do conhecimento e
passa a ser um auxiliar do desenvolvimento da criança, um facilitador da aprendizagem. “O que o
professor tem a fazer é colocar o aluno em condições propícias para que, partindo de suas
necessidades e estimulando os seus interesses,
possa buscar por si mesmo conhecimentos e experiências”. (LIBÂNEO, 1994, p. 65).
Na Escola Nova a prática pedagógica
passa a ser regulada por atividades reais, cotidianas, e quase inteiramente conduzida
pela capacidade que o aluno tenha em
auto-desenvolver-se. O método de ensino
se resume à pesquisa, às possibilidades de elaboração de hipóteses que normatizam o caminho que o aluno
deve percorrer para descobrir. A
mediação do professor é exercitada aqui mediante orientação das atividades
didáticas. O seu papel é de orientação de estudos e não de imposição de
conteúdos abstrato.
A crítica feita por Veiga (1994) ao
movimento escolanovista é de que ele não buscava a solução dos problemas educacionais
dentro da própria escola, e não considerava
o contexto político, econômico e social da realidade brasileira. Scalcon (2002) também faz essa crítica quando pontua
que a tendência escolanovista, baseada
no subjetivismo, desvincula o educando do seu ambiente histórico – social, tornando-se assim, acrítica, e acrescenta que a Escola Nova serviu para promover e consolidar as transformações
exigidas pela sociedade industrial, pois
na medida em que exaltava a espontaneidade da criança, estava a preocupação em formar indivíduos capacitados
para o trabalho. A tendência escolanovista
foi criticada também por promover um esvaziamento do conteúdo, no e que havia por parte de Dewey e Anísio
Teixeira a preocupação com os conteúdos,
mas acreditavam que o educando deveria se apropriar significativamente desses conteúdos.
Essa tendência vigorou por pouco tempo, nos anos 50
e 60, devido à ditadura e ao governo
militar em 1964, o que impediu a continuidade das mudanças que estavam sendo realizadas nas escolas públicas.
Em relação ao aluno com autismo,
também deve ser analisada a validade dessa
tendência. Como alguns demonstram resistência ao aprendizado e um apego a certos objetos e rotinas, é necessário criar
meios para incentivar sua participação nas
atividades, caso contrário, o aluno pode ficar alheio ao que está acontecendo
na sala de aula.
A Tendência Tecnicista tem seu aporte
psicológico na psicologia behaviorista, de
inspiração objetivista, que atribui exclusivamente ao ambiente a constituição das características, esse ambiente não se
trata de um ambiente histórico, social e cultural. Desenvolveu-se no Brasil, na década
de 50, e ganhou maior relevância nos anos 60, após a instauração do governo
militar em 1964. Por estar adequada com
a orientação econômica, política e ideológica do regime militar vigente na época, essa
tendência foi imposta às escolas pelos organismos
oficiais. (LIBÂNEO, 1994, SCALCON, 2002).
Scalcon também acrescenta que nessa tendência
a escola tem o papel de aperfeiçoar a ordem social vigente o que se realiza por
meio da organização do processo de aquisição de habilidades e de técnicas específicas capazes de modelar o
comportamento humano, assim, a escola passa a moldar o indivíduo, ou modelar
seu comportamento, para que
posteriormente ele possa ser um cidadão produtivo. O papel da escola passa a
ser o de satisfazer a necessidade da sociedade industrial, fornecendo recursos
humanos capacitados para a indústria. Os conteúdos de ensino presentes nesta tendência são as informações,
princípios e leis científicos estabelecidos
e ordenados numa seqüência lógica e psicológica. É matéria de ensino somente o que é redutível ao conhecimento
observável e mensurável. (LIBÂNEO, 1998)
Esses conteúdos são resultantes da
ciência objetiva, a subjetividade não é considerada. Na tendência tecnicista o professor passa a
ser um técnico a quem cabe administrar e
executar o planejamento. Ao aluno compete receber, aprender e fixar as informações e os conteúdos transmitidos, o
aluno não participa da construção da proposta pedagógica. Nessa tendência não
são privilegiadas as interações sociais, a relação professor-aluno é técnica, objetivando
apenas a transmissão e recepção dos conhecimentos.
Esta tendência é muito utilizada no ensino do aluno com
autismo tendo em vista que a psicologia behaviorista, de inspiração
objetivista, que serviu de base para a
tendência tecnicista, é a mesma que serve de base para alguns métodos comportamentais utilizados em
escolas, clínicas ou instituições especializadas
no atendimento da pessoa com autismo. Como exemplos desses programas podem ser
citados o TEACCH e o ABA, que através da modificação, estruturação do ambiente e oferecimento de
estímulos visam a modificação do comportamento
da pessoa com autismo.
O TEACCH – Treatment and Education of
Autistic and Related Communication
Handicapped Children (Tratamento e Educação para Autistas e Crianças com Déficits relacionados à
Comunicação) teve sua origem na década de 60, nos Estados Unidos, Escola de Medicina da
Universidade da Carolina do Norte, por
Dr. Eric Schopler e colaboradores, através de um projeto experimental de pesquisa. Esse projeto visava, com ajuda dos
pais, educar as crianças que possuíam
autismo. Devido à eficácia do trabalho realizado, o projeto foi oficializado em
1972. (LEON e OSORIO, 2011)
O TEACCH tem como objetivo indicar, especificar e definir de maneira
operacional os comportamentos que devem
ser trabalhados. O ambiente é estruturado pelo professor ou profissional que trabalha com
indivíduos com autismo, visando a adaptação
do ambiente para que a pessoa com autismo possa compreendê-lo e entender o que é esperado dela e o
desaparecimento ou a redução de comportamentos
indesejados através de reforços positivos.
Cunha (2011) ressalta que o objetivo
do programa é levar a criança a
comportamentos cada vez mais adequados, permitindo-a compreender o ambiente e agir sobre ele. Acrescenta que as
estratégias educativas utilizadas no
programa insistem na percepção, na imitação e na motricidade,
recursos imprescindíveis à comunicação,
bem como nos comportamentos, na autonomia e na
sociabilidade .
Referindo-se ao TEACCH, Leon e Osorio
( 2011), fazem uma análise sobre os
pontos positivos e negativos de tal
programa. Como pontos positivos, a autora destaca que as qualidades educativas do método residem em
sua compreensão das técnicas operacionais:
trabalho individual, grande rigor de enquadramento, os objetivos a curto prazo, observação e avaliação contínuas,
material bastante adaptado, frequentemente
decomponível e podendo tornar-se um modo de comunicação. Como aspectos
negativos, as autoras mencionam o aspecto condicionante das estratégias
utilizadas para a consecução dos objetivos.
O ABA – Applied Behavioral Analysis
(Análise Aplicada ao Comportamento) foi
primeiramente aplicado pelo psicólogo Ivar Lovaas, é um método que visa observar, analisar e explicar a associação
entre o ambiente, o comportamento humano
e a aprendizagem, objetivando uma modificação de comportamentos específicos. O ABA tem ainda como objetivo
ensinar à pessoa com autismo habilidades
não adquiridas por meio de passos cuidadosamente registrados. Cada habilidade
desejada é apresentada em associação a uma instrução, sendo concedido apoio quando necessário; esse apoio
deve ser retirado aos poucos, possibilitando
a autonomia. No ABA cada resposta adequada implica na ocorrência de algo agradável para a pessoa com autismo,
tentando-se inibir ao máximo por meio do
reforço e da repetição, a manifestação do comportamento indesejado. ( BAGAILO E GUILHARDE, 2011, CUNHA, 2009)
Tais programas têm uma função parecida
com a da tendência tecnicista que é a de
modelar o comportamento através da organização e estruturação do meio. A abordagem comportamental, que é utilizada nos
métodos citados, tem uma concepção
mecânica do homem e do mundo, compreendendo a aprendizagem e o desenvolvimento como semelhantes, sendo a
aprendizagem e o desenvolvimento vistos
como resultantes do condicionamento do meio. (CUNHA, 2009) Nessa abordagem, a educação é vista como treinamento
de alunos passivos, com comportamentos
inapropriados, para aquisição de comportamentos aceitáveis para convivência em sociedade.
Vale ressaltar que, apesar das críticas, alguns princípios do
TEACCH e ABA, como: a antecipação, o
incentivo à comunicação e à autonomia, dentre outros, demonstram eficiencia
quando utilizados na prática pedagógica dos professores de alunos com autismo,
contudo essa utilização deve ser feita
com base em uma reflexão cuidadosa e não de forma acrítica como um simples condicionamento.
A Tendência ou Perspectiva
Interacionista, baseada no construtivismo de Piaget e na Teoria Sociohistórica de Vigotsky,
surge como uma tentativa de superar a dicotomia
entre sujeito e objeto. Essa tendência concebe o ser humano como um ser ativo que constrói conhecimento na relação com
o ambiente. Embora essas teorias apresentem
semelhanças, podem-se perceber também algumas diferenças, desse modo, as contribuições desses teóricos serão
apresentadas separadamente.
Piaget, biólogo, filósofo e psicólogo
suíço, é reconhecido por inaugurar uma nova
forma de perceber a relação do homem com o conhecimento. A epistemologia de Piaget rompeu a dicotomia sujeito e objeto,
presente na psicologia através das correntes
objetivista e subjetivista. Piaget se preocupou com a forma como a criança construía conhecimento e postulou que o
conhecimento é resultante da interação sujeito
e objeto. A ação é outro elemento que exerce um papel fundamental na epistemologia piagetiana, pois: “O sujeito e o
objeto não são definidos a priori, mas ao contrário, ganham gradual
especificidade e definição quando mediados pela ação humana”. (SCALCON, 2002,
p. 39)
Outro aspecto importante na teoria de
Piaget é a preocupação com a descoberta
das diversas formas de conhecimento, das mais simples às mais complexas. Ele postula que o desenvolvimento
cognitivo é resultado de estruturas biológicas,
sensoriais e neurológicas; tem início no nascimento e termina na idade adulta. Tal processo consiste numa passagem
contínua de um estado de menor equilíbrio
para outro de maior equilíbrio. (PIAGET, 1998) Assim, Piaget estabeleceu estágios universais de desenvolvimento que
demonstram a existência das diferentes formas
de interação entre o sujeito e o conhecimento, ou seja, a existência de sucessivos e crescentes processos de
adaptação, a saber: o sensório-motor, o pré- operatório, o operatório concreto
e o operatório formal. Esses estágios justificam a afirmativa de que a
psicologia genética se preocupa com a origem do conhecimento. Segundo Piaget (1998), cada um desses estágios
caracteriza-se pelo surgimento de estruturas
originais que os distinguem dos estágios anteriores:
1º Estagio, o Estágio sensório-motor, vai de 0
a aproximadamente 2 anos de idade, é anterior ao desenvolvimento da linguagem e corresponde ao estágio dos
reflexos ou mecanismos hereditários, da organização das primeiras percepções e primeiros hábitos motores e da
inteligência senso-motora ou prática.
2º Estágio, o pré-operatório, dos 2 aos 7 anos de idade, é o estágio da
inteligência intuitiva, dos sentimentos interindividuais espontâneos e das relações individuais de submissão ao adulto.
3º Estágio, o operatório concreto (ou
das operações intelectuais concretas),
vai dos 7 aos 12 anos, é o estágio das operações intelectuais concretas e dos
sentimentos morais e sociais de
cooperação.
4º Estágio operatório formal (ou das
operações intelectuais abstratas), a partir dos 12 anos, é o estágio da formação da
personalidade, da inserção afetiva e intelectual na sociedade dos adultos e das
operações intelectuais abstratas.
Embora os autores reconheçam que
Piaget não desenvolveu uma teoria pedagógica, são inegáveis as contribuições de sua teoria
para a educação, mais especificamente,
para prática pedagógica dos professores dos alunos autistas. As principais
delas são a nova forma de conceber o sujeito, possibilitado o professor ver o
aluno como um sujeito ativo e não como
um ser passivo e a nova forma de conceber a aprendizagem, não mais como resultado de
memorização dos assuntos transmitidos pelo
professor, mas como uma construção ativa.
Em relação às pessoas com necessidades
educacionais especiais, em especial a
pessoa com autismo, uma interpretação equivocada da relação entre aprendizado e desenvolvimento na teoria de
Piaget pode justificar a falta de investimento
na aprendizagem dessas pessoas ou uma espera no desenvolvimento para planejar uma intervenção pedagógica
adequada, o que para a autora deste trabalho
seria prejudicial para essas pessoas. O mais apropriado seria investir na aprendizagem com vistas a favorecer o
desenvolvimento desses indivíduos.
A Tendência ou Teoria sociohistórica,
surgiu a partir dos estudos de Vigotsky, um pesquisador soviético com formação em Direito,
que frequentou cursos de história e filosofia
e aprofundou seus estudos em psicologia, literatura e filosofia e foi professor
de literatura e psicologia. A abordagem
vigotskiana acredita que o processo de construção
do conhecimento ocorre na interação do sujeito historicamente situado com o ambiente sociocultural onde vive. Sobre
esta relação, Scalcon (2002) ressalta que na perspectiva sociohistórica o conhecimento é construído na interação sujeito-objeto a partir de ações
socialmente mediadas. Essa abordagem questiona
a concepção de que o desenvolvimento da pessoa é determinado apenas pelos fatores biológicos na medida em que
aponta a importância do meio e da interação
social para o desenvolvimento humano.
A Teoria Sociohistórica oferece
contribuições para a prática pedagógica, concedendo ao professor um papel importante no
desenvolvimento do aluno; o professor é
o responsável por realizar a mediação nas interações entre o aluno e o conhecimento.
Pimentel (2007) ensina que numa relação de ensino e
aprendizagem, mediar significa fornecer
níveis de ajuda, planejados de forma intencional e que se ajustem às necessidades dos educandos, ressalta a
importância da mediação realizada pelo professor, que pode através de sua prática, promover
intervenções planejadas e sistemáticas, que favoreçam a aprendizagem e o desenvolvimento
dos seus alunos. Nessa teoria, o ensino
é entendido como uma intervenção carregada de intencionalidade, incidindo nos processos intelectuais, sociais e afetivos
do indivíduo, cujo objetivo é a construção
do conhecimento feita de forma ativa pelo próprio indivíduo.
Além do que foi citado acima, o ponto
principal na teoria de Vigotstky é que ela trata da educação das pessoas com deficiência.
Esse autor defendia uma escola que se abstivesse de isolar essas crianças e, em vez disso, integrasse-as
tanto quanto possível na sociedade.
Marques (2001) destaca ainda que na teoria
desenvolvida por Vigotsky a criança com deficiência não deve ser vista como
possuindo um desenvolvimento inferior ao
de seus pares sem deficiência, ao contrário, como uma pessoa com desenvolvimento qualitativamente diferente e
único.
A
ultima tendência apresentada aqui, será a Montessoriana, criada por Maria
Montessori, médica italiana que chegou à Educação através do seu trabalho na
Medicina, e não pela via tradicional da própria Pedagogia, como professora, no final
do século XIX. A proposta que buscava
avançar na proposição de uma nova forma de organização do trabalho didático, e
que respondesse ao desiderato da individualização do ensino. LAGOA (1979)
Uma grande observadora do
comportamento humano, Montessori enfatizava que nenhum comportamento é sem
causa ou objetivo, levando-a a desenvolver uma teoria de aprendizagem baseada
na natureza humana, no desenvolvimento humano. Quando, a insistentes pedidos de
autoridades e professores, resolveu escrever sua teoria sobre Educação e
Desenvolvimento, chamou sua obra de O método científico aplicado à educação
infantil e às Casas de Crianças – Auto-educação nas escolas primárias (1909).
Sua abordagem era um modo de ver o
desenvolvimento infantil entremeado com as condições do ambiente, e como este
ambiente poderia favorecer ou atrapalhar o desenvolvimento da criança. O método Montessori foi um dos primeiros métodos ativos
quanto à criação e aplicação, seu principal objetivo são as atividades motoras
e sensoriais visando, especialmente, à educação pré-escolar, trabalho também
estendido a segunda infância.
Segundo Machado
(1996), após ter concluído o curso de Medicina , Montessori foi designada como
Médica Assistente da Clínica Psiquiátrica da Universidade de Roma. Ali, veio a
ter contato com crianças deficientes, na época chamadas de “idiotas” e
consideradas “ineducáveis”, pois não se acreditava que a idiotia tivesse
qualquer chance de ser tratada ou diminuída. Não havia tratamento, nem médico
nem pedagógico, para estas crianças. Eram apenas reunidas em uma sala e
trancadas à chave. Não havia qualquer brinquedo, qualquer material, nem sequer
para “distraí-las”. Um dia, Montessori passava por uma destas salas, quando viu
uma mulher servindo a refeição às crianças, mas com tal desprezo e rejeição que
Montessori parou para inquiri-la sobre o razão de tanta ojeriza por aquelas
crianças. A mulher respondeu que eram “como animais que, depois de comerem o
pão, atiravam-se ao chão, disputando as migalhas”. Montessori então observou
que as crianças, em vez de comerem as migalhas, amassavam-nas formando bolinhas
ou outros objetos. Como tinha espírito científico e sabia que a natureza não
age sem razão ou objetivo, pôs-se a observar essas crianças, por vários dias, e
concluiu que elas tinham uma intenção ao fazer isso. Como não havia brinquedos
nem nada na sala, amassavam as migalhas para fazer imitações de objetos e brincar
com isso. Montessori ficou tão surpresa com a observação que pediu autorização
à direção do hospital para trabalhar com essas crianças. Voltou-se novamente
aos estudos, com destaque para dois médicos franceses, Jean-Marie Itard,
que trabalhou, no século XVIII, com surdos e com “o menino selvagem de
Aveyron”, e Edouard Séguin, que havia desenvolvido “um método
fisiológico para o tratamento de crianças deficientes. Fez também estudos de
Psicologia e Antropologia, para auxiliá-la a compreender melhor essas crianças.
Ao fim de dois anos
trabalhando na Escola Ortofrênica, fundada graças a seu trabalho, Montessori
resolveu aplicar o teste de alfabetização utilizado nas escolas primárias de
Roma e, para surpresa geral, essas crianças passaram no teste.
Os princípios fundamentais do método Montessori são: a
atividade, a individualidade e a liberdade. Enfatizando os aspectos biológicos,
pois, considerando que a vida é desenvolvimento, achava que era função da
educação favorecer esse desenvolvimento.
O material criado por Montessori tem papel preponderante no
seu trabalho educativo pois pressupõem a compreensão das coisas a partir delas
mesmas, tendo como função a estimular e desenvolver na criança, um impulso
interior que se manifesta no trabalho espontâneo do intelecto.
Mesmo
sendo considerado por muitos autores como
uma tendência ultrapassada, o
método é
ainda é muito utilizada na educação especial, e na educação de autistas.
IV - CONCLUSÃO
Na
perspectiva da educação inclusiva, a educação de autistas passa a integrar a proposta
pedagógica da escola especial, promovendo o atendimento às necessidades
educacionais especiais desses alunos.
Assim,
alicerçados nas idéias dos autores , temos a convicção de que conhecer aceitar
e conviver com as diferenças é fundamental para a construção de praticas
pedagógicas que valorize a especificidade de cada aluno. Os autores também
ressaltam a importância da mediação
realizada pelo professor, que pode
através de sua prática, promover intervenções
planejadas e sistemáticas, que
favoreçam a aprendizagem e o desenvolvimento dos seus alunos.
Concluo
esse ensaio concordando com o pensamento dos autores estudados, de que o professor deve flexibilizar sua
prática para oferecer respostas às
necessidades específicas dos alunos com autismo. Acreditamos que a prática pedagógica pautada em teorias multirreferenciais com currículos
adaptados e individualizados são meios eficazes
para favorecer a educação de alunos autistas
V- BIBLIOGRAFIA
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19. _________L. S. Obras escogidas V. Madrid: Centro de Publicaciones Del MEC y Visor
Distribuciones, 1997.
martes, 26 de noviembre de 2013
INTERDISCIPLINARIDADE: O RESGATE DA DIMENSÃO CUIDADORA NA PROMOÇÃO DA SAÚDE
RESUMO:
Este trabalho teve por objetivo compreender como o significado de Interdisciplinaridade é percebido pelos sujeitos que compõem a equipe de saúde da APAE de Feira de Santana, além de estimular a visão crítico-reflexivo e humanista das necessidades individuais e coletivas do conjunto social, através de estudos sobre trabalho interdisciplinar. Para o desenvolvimento do estudo foi realizada uma revisão bibliográfica para maior fundamentação teórica e apropriação do tema, e construído e aplicado um instrumento para obtenção de dados relativos à percepção destes sujeitos sobre interdisciplinaridade, cuidados e políticas públicas. O instrumento tanto reuniu dados pessoais, acadêmicos e profissionais dos entrevistados, como também a sua percepção acerca do tema. A análise dos depoimentos demonstrou que é necessária uma mudança de atitude individual e institucional para o desenvolvimento de práticas interdisciplinares. A perspectiva de interdisciplinaridade, na qual este estudo se insere, contempla o reconhecimento da complexidade crescente e a conseqüente exigência interna de um olhar plural, além de a possibilidade de trabalho conjunto, que respeite as bases disciplinares específicas, mas busque soluções compartilhadas para os problemas das pessoas e das instituições.
O artigo completa encontra-se postado nesse Blog.
jueves, 27 de junio de 2013
Una viaje de tren a Tigre
1. PRÓLOGO
1. PRÓLOGO
Quando foi dada a tarefa de escrever uma monografia
sobre uma experiência vivida em Buenos Aires, pelo Prof. Luiz Etcheverry da
disciplina Epistemologia, iniciei a pensar qual o significado dessa tarefa.
Algumas questões me ocorreram, a primeira
delas foi: o que é experiência? A segunda, o que é intencionalidade? Como irei
escrever essa experiência?
Responder essas questões através da
experiência vivida será o desafio dessa monografia.
Durante a aula, nos foi dada uma lista
com trinta e seis palavras, onde deveríamos fazer uma experiência de
conhecimento em relação às palavras apresentadas, esse trabalho foi realizado
grupalmente e apresentado em sala de aula.
Como tarefa para a aprovação da
disciplina foi proposto um trabalho individual a partir das teorias vistas nas
aulas.
Elegi como experiência: Estação
Retiro. Viajar de trem a Tigre.
A motivação para escrever sobre esse
tema foi a de conhecer um local que já havia ouvido falar, sobre a sua beleza e
a partir daí criar os meus próprios conceitos acerca dessa cidade.
Em um texto de Deleuze y Guattari
apresentado por Etchevery, trás que de acordo com o veredito nietzschiano, não
se pode conhecer nada mediante a conceitos, a menos que se haja sido criado
anteriormente. Conceitos são pontes
móveis, então eles são mutáveis o conceito que temos hoje sobre algo, pode
não ser o mesmo amanhã.
Elegi essa ideia força por acreditar
que poderia ser uma experiência carregada de significado, pois iria agora ter
as minhas próprias impressões sobre essa viagem.
Para
escrever essa monografia, utilisei o método qualitativo de abordagem
descritiva, pois possibilita contemplar com mais propriedade o conjunto de
elementos que envolvem a monografia. Metodologia essa, definida por Minayo (2007),
como aquela capaz de incorporar a questão do significado e da intencionalidade
como os atos, as relações e as estruturas sociais. Tendo a potencialidade de
aprender e analisar os acontecimentos, as relações, os momentos e o processo
como parte de um todo.
A
abordagem qualitativa realiza uma aproximação fundamental e de intimidade entre
sujeito e objeto, uma vez que ambos são da mesma natureza: ela se envolve com
empatia aos motivos, às intenções, aos projetos dos atores a partir dos quais
as ações, as estruturas e as relações se tornam significativas. (Minayo, 2007)
.2. DESARROLLO
Em um domingo frio e nublado do mês de
julho, saímos em direção à estação Retiro que ficava a poucas quadras do hotel.
Durante a caminhada pude perceber a diferença da paisagem que conheci em
Janeiro, o céu cinzento, as arvores secas poucas pessoas nas ruas.
Chegando a estação compramos o bilhete
e enquanto esperávamos fiquei a observar as pessoas. Eram pessoas muitos
diferentes, turistas, pessoas que estavam ali a passeio, vendedores, outras que
retornavam à suas casas.
Finalmente o trem chegou, entrei,
escolhi um lugar ao lado de uma janela.
Começou a minha aventura rumo a Tigre.
Assim que o trem partiu me veio à mente
a pergunta apresentada no seminário: Que significa fazer uma experiência? De
acordo com o texto apresentado por Etcheverry, Heidegger nos diz que fazer uma
experiência significa algo, que nos passa, que nos ocorre, algo que nos
alcança, nos possui e nos transforma.
Ainda no texto encontramos que se
deixamos de lado o voluntarismo e nos disponhamos de modo receptivo-passivo a
que esse algo aconteça, a obra será fruto de um dialogo vinculante com o mundo.
Percebi que fazer uma experiência é andar
e desandar porcaminhos desconhecidos e retornar e retornar ao lugar onde já nos
encontrávamos.
Quando
comecei a escrever essa monografia busquei o significado de experiência. Em
Japiassu 2001, encontrei que em seu sentido geral, a experiência é um conhecimento
espontâneo ou vivido, adquirido pelo indivíduo ao longo de sua vida. Em seu
sentido técnico, experiência é a ação de observar ou de experimentar com a
finalidade de formar ou de controlar uma hipótese.
Lembrei também que no texto de
Heidderger, Etcheverry, cita Hugo Mojica onde o autor fala que viajar é
expandir a mente, sobretudo, é saber que o absoluto aqui é relativo em outro
lugar. Entendi com essa citação que viajar é nos transformar e na volta nada
será igual.
Parafraseando Mario Quintana, viajar é
trocar a roupa da alma.
A viagem começa passando por lugares
já conhecidos, av. Del Libertador, Palermo, Hipódromo... Aí veio a mente a
frase de Suzuki, “quando se estuda deve-se fazer uma limpeza da casa”, percebi
então que deveria apagar o que já tinha em mente daqueles lugares e começar por
um vazio. Esse é o principio da vacuidade nos ensinado por Suziki quando o
mesmo nos fala que a verdadeira existência vem da vacuidade e volta novamente a
ela.
Nesse momento comecei a observar tudo àquilo
com um novo olhar. Agora como se fosse tudo aquilo desconhecido, vi favelas, sujeira,
lixo, casas velhas. Percebi as pessoas que viajavam no trem. Casais de
namorados, enamorados, famílias, crianças sorrindo, outras chorando, velhos, havia
muitos velhos viajando naquele trem. Entravam e saiam muitos vendedores, alguns
cantavam e tocavam instrumentos.
Comecei a perceber que havia vida
naquele trem.
Voltei a lembrar do Texto, que
significa fazer uma experiência? E a citação de Heiddeger que nos diz: só
podemos experimentar o que nos espera de uma viagem na própria carne, para isso
é necessário o despojo. Assim me despojei me determinei a dar um significado
aquela viagem.
Buscando
o conceito filosófico de significado, encontrei em Japiassú 2001, que é a
relação entre o signo linguístico e o real, o objeto designado pelo signo. Duas palavras sinônimas podem ter a mesma referencia,
mas terem sentidos totalmente distintos. Outro aspecto da compreensão do
significado diz respeito aos tipos de uso que uma expressão pode ter em
contextos diferentes e para objetivos diferentes, o que determina uma diferença
de significado.
Dai
comecei a entender o que o professor pretendia quando falou sobre a realização
dessa monografia, sem, entretanto dar-nos nenhuma orientação de como deveríamos
fazê-la. Ele pretendia que essa monografia não fosse baseada em explicação, mas
sim na emancipação que pode se tornar efetiva pela vontade e desejo de
aprender.
No
prologo do seu livro O Mestre Ignorante, na edição em português, Ranciere
(2002) nos ensina que não há ignorante que não saiba uma infinidade de coisas,
e é sobre esse saber que todo ensino
deve-se basear.
Passamos
por muitas estações e cruzamos províncias. Rivadavia, Vicente Lopez, Martinez,
Acassuso, San Isidro, Beccar. Vi também a beleza de Olivos, com suas belas
casas. Vi estações abandonadas e com muita pobreza.
Cerca
de cinquenta minutos chegamos a Tigre. Descemos em uma bela estação que foi
inaugurada em 8 de maio de 1893 e reformada em abril de 1966. Lá sentamos um
pouco para decidir o que fazer. Resolvemos caminhar pela margem esquerda do
rio, pois na direita, havia muitas pessoas, principalmente turistas.
No inicio
da caminhada, vi um rio negro, com aguas sujas e fétidas. Ali era a saída dos
catamaranes para o passeio pelo Delta, mas logo adiante vi muitas aves que se
alimentavam do produto daquela poluição. Fomos na direção do circuito
turístico.
Na
margem esquerda encontrei um parque infantil com muitas crianças brincando,
muitos jovens sentados na grama namorando, famílias passeando. Vi também muitas
pessoas andando de bicicleta. No rio pessoas remando e passeando em pequenas e
grandes embarcações.
Percebi
que naquela margem podia vê um típico domingo dos moradores daquela cidade,
tranquilo sem agitação.
Olhando
para a margem direita via clubes náuticos, a estação fluvial, o Capitan Paraná
um grande parque infantil.
Continuando
andando pela margem esquerda encontramos o Museo Del Mate. O local estava
fechado, mas fomos informados que ali conta toda a historia do mate, desde a
descoberta da erva até os tempos atuais, que esse é um grande costume entre os
argentinos. Conta com cerca de duas mil peças entre cuias, livros sobre o
costume de “matear”.
Vimos
o Clube Suisso, o Clube de Regatas America, a Prefeitura Naval Argentina e mais
adiante o Monumento al Remero que homenageiam aqueles que deram gloria a
Argentina nesse esporte. O monumento está localizado no encontro do Rio Tigre e
o Rio Luján.
Adiante
vimos o Clube de Regatas da Marinha. Vimos também muitas placas de “proibido
pescar e nadar”. Conversei com um guarda que não quis se identificar, ele é nascido na cidade de Corrientes, mas mora em
Tigre. Ele nos disse que naquela região era proibido nadar e pescar por causa
da poluição, mas nas ilhas do Delta tinham muitos lugares para pesca e banho.
Já
passava das duas horas da tarde quando paramos para almoçar. Fomos ao restaurante
El Tio, lá conhecemos Marina, uma simpática garçonete que nos falou que era
nascida em Santiago Del Esteio, mas que
morou muitos no Brasil. Falava fluente o português e nos comunicamos bem. Sugeriu-nos
para comermos um bife de chorizo a la pizza. Um saboroso e farto prato que
saciou a nossa fome.
Descansamos
um pouco e retomamos a caminhada. Voltamos e fomos em direção à margem direita
do rio. Essa margem era totalmente diferente da outra, cruzamos com muitas
pessoas, famílias, jovens, muitos turistas.
Fomos
ao Parque da Costa, Estação Delta e ao Cassino Trilenio, passamos rapidamente
por cada um desses locais.
A estação
Delta é um lugar bucólico, de onde parte o Trem da Costa até a estação Maipu.
Esse trem viaja quase todo o trecho passando pelo Rio La Plata e pelas suas
matas.
Depois
fomos ao Cassino Trilenio, um lugar muito luxuoso com muitas maquinas e mesas
de jogo. Chamou a minha atenção a quantidade de pessoas idosas jogando, percebi
que muitas delas estavam ali sozinhas sem acompanhantes. Os idosos na Argentina
possuem muito mais autonomia que no Brasil.
Já
passavam das 16h e resolvemos retornar a CABA. O passeio pelo Delta teria que
ficar para outra ocasião, outra experiência.
No
retorno o trem estava muito cheio, havia muitas pessoas. Elas estavam alegres e
conversavam e riam alto.
A certa
altura entrou um senhor bem idoso, que tocava um bandoneon, um instrumento de
origem alemã, mas muito comum naquela
região. Tocou uma bela musica. Perguntei a um jovem que estava na minha frente se
ele conhecia aquela musica, ele me respondeu que era El Mundo de Piazzola, que
é um compositor argentino que inovou o tango e criou um gênero que ficou
conhecido como nuevotango, com muitas influencias do jazz norte americano.
Como
estava uma tarde ensolarada e quente vi
muitas pessoas jogando tênis, futebol, rugby. O hipódromo de Palermo
estava cheio.
Quando
chegamos de volta a Estação Retiro já era mais de 17 horas.
Retornamos
a pé para o hotel, estava muito cansada, mas feliz com a experiência vivida.
4.CONCLUSION
A
viagem de volta pareceu ser mais rápida. Durante todo o trajeto vim pensando na
experiência que vivi naquele domingo, lembrei-me do texto de Etcheverry, quando
o mesmo cita “ a atenção é algo
diferente da concentração”. Neste texto Krishnamurti ensina que quando
nos concentramos nada vemos, mas quando prestamos atenção vemos muito. Percebi
quanta verdade havia nessas palavras, quando prestei atenção, vi coisas que
passaram despercebidas em uma ocasião anterior que fiz essa mesma viagem.
Realizei
a viagem carregada de intencionalidade, que segundo Japiassu
(
2001) é a característica definidora da consciência, na medida em que está
necessariamente voltada para um objeto: "Toda cons-ciência é consciência
de algo". Esse autor também ensina que a consciência só é consciência a
partir de sua relação com um mundo já constituído, que a precede. Por isso digo
que a viagem tinha intencionalidade, mas ainda ignorava como escrever a experiência.
Encontrei
essa resposta na leitura de o Mestre Ignorante de Ranciere ( 2002).
Ranciere
narra à aventura do mestre Jaques Jacotot, vivida no século XIX, onde o mesmo
versa que o ato de aprender poderia ser efetivado sob diferentes perspectivas:
por um mestre emancipador ou por um mestre embrutecedor, por um mestre sábio ou
por um mestre ignorante, e nos faz refletir que pode - se ensinar o que se
ignora, desde que se emancipe a aluno, mas para isso o próprio mestre deve ser
emancipado.
Essa
forma de aprendizado foi denominada pelo autor de Ensino Universal, que
preconiza uma aprendizagem sem um mestre explicador, cujo principio de baseia
em aprender e saber aplicar esses conhecimentos, estabelecendo relações e
ligações com conhecimentos anteriores.
A
partir dessa leitura comecei a compreender o que o professor queria, e como
poderia escrever essa monografia.
Ranciere
escreve que todos os homens possuem igual inteligência e “que só um homem pode emancipar outro
homem”. Então entendi que todos os meus
colegas ignoravam o que fazer e assim todos estavam em igualdade de
conhecimento e emancipados para buscar esse conhecimento.
Através
de Ranciere, entendi que é
necessário inverter a lógica do sistema explicador, desenvolvendo, assim, um
método de ensino e aprendizagem não mais baseado na explicação, mas sim na
emancipação, que se pode tornar efetiva pela vontade e pelo próprio desejo de
aprender ou, mesmo, pelas contingências da situação.
Portanto
a leitura dessa obra nos faz refletir que se pode ensinar o que se ignora desde
que se emancipe o aluno, instigando-o a usar a sua própria inteligência. Mas,
para isso, é imprescindível que o próprio mestre seja emancipado para que possa
dar início ao círculo da emancipação, assim ambos tornam–se sujeitos do
processo em que crescem juntos.
A
teoria do Ensino Universal de Jacotot, nos colocou naquele momento, em igualdade,
ou seja todos nada sabiam sobre como elaborar essa monografia, e assim cada um
iria buscar de forma emancipada os caminhos para a elaboração.
Concluo
essa dissertação mais uma vez citando Ranciere:
“ A
igualdade é fundamental e ausente, ela é atual e intempestiva,
sempre
dependendo da iniciativa de individuo e grupos que,
contra o
curso natural das coisas, assumem o risco de verifica-la,
de
inventar as formas, individuais e coletivas, de sua verificação.
Essa
lição, ela também é nunca que mais atual.”
Jacques
Rancière
Maio de
2002
BIBLIOGRAFIA
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BARBOSA,
A. M. Ciência e Experiência: Um ensaio sobre fenomenologia do espírito de
Hegel ( recurso eletrônico) Porto Alegre, EDIPUCS, 2010
2.
ETCHEVERRY,
L.M. ?Qué significa hacer uma experiência?- Julio 2012.
3.
________________De
“Shopenhauer como educador”. Tercera Consideración Intempestiva. Publicada em
Madrid, em septiembre de 1999. Julio 2012
4.
________________ Epistemologia y Educación – ICC- USAL .
Julio 2012
5.
________________ Intruducion
a “ Qué es um concepto ? ” de G. Deleuze
y F. Guattari. Julio 2012
6.
________________Método zen de estúdio a partir de Shunryu
Suzuki. Julio 2012
7.
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Seleccion de Textos de La estructura de
las revoluciones cientificas . De Thomas Kuhn. Julio de 2012.
8. JAPIASSU, H. MARCONDES, D. Dicionário Básico de Filosofia – 3ª
Eidição. Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, 2001.
9.
MINAYO,
M.C. de S. O desafio do Conhecimento:
pesquisa qualitativa em saúde.-10. ed. São Paulo . Hucite/Abrasco, 2007
10. RANCIERE, J. O mestre ignorante – Cinco lições sobre a emancipação intelectual.
Belo Horizonte, Editora Autentica,2002.
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